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Flávio Bolsonaro admite não ter provas de fraude eleitoral e revela planos para 2030

Em entrevista exclusiva à Folha de S.Paulo, senador questionou o resultado das eleições de 2026, comentou sua saída do Brasil, criticou decisão do pai de retornar ao país e sinalizou nova candidatura à Presidência.

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu não possuir provas de fraude nas eleições presidenciais de 2026, embora continue levantando suspeitas sobre o resultado que garantiu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração ocorreu durante entrevista exclusiva à Folha de S.Paulo, conduzida pelo jornalista Glenn Greenwald, em Miami, nos Estados Unidos.

A conversa foi realizada na quinta-feira (5) e publicada na sexta-feira (6 de novembro). Foi a primeira entrevista do parlamentar a um veículo brasileiro desde sua saída do país, após a derrota no segundo turno.

Senador reconhece ausência de provas

Um dos principais momentos da entrevista ocorreu quando Greenwald questionou diretamente o parlamentar sobre a existência de evidências de manipulação dos votos.

Flávio reconheceu que não dispõe de provas, mas argumentou que, em sua avaliação, não haveria condições para investigar possíveis irregularidades no Brasil.

"Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto", declarou.

Apesar das suspeitas manifestadas pelo senador, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atestou a regularidade das eleições de 2026. O presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou ter segurança quanto à lisura do processo eleitoral.

O resultado oficial deu a Lula 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 48,21%. A diferença superou quatro milhões de votos.

Saída do Brasil e permanência nos Estados Unidos

Durante a entrevista, Flávio também foi questionado sobre as circunstâncias de sua saída do Brasil, ocorrida após as eleições.

O parlamentar afirmou que decidiu viajar com a família por considerar que poderia enfrentar uma investigação sem a imparcialidade necessária. Essa avaliação foi apresentada como justificativa para permanecer no exterior.

Questionado sobre quem teria organizado ou financiado a viagem, preferiu não fornecer informações.

"Não vou falar sobre isso", respondeu.

O senador afirmou que ainda não decidiu onde pretende morar e explicou que está utilizando reservas financeiras acumuladas ao longo de sua trajetória profissional. Também declarou que pretende continuar exercendo o mandato parlamentar, participando remotamente das sessões em que isso for permitido.

Flávio considera um erro o retorno do pai ao Brasil

Outro momento de destaque foi a avaliação sobre a decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro de retornar ao Brasil em 2023, depois de permanecer nos Estados Unidos após as eleições de 2022.

Na avaliação de Flávio, o pai acreditava que enfrentaria um julgamento justo, mas teria calculado incorretamente os riscos de seu retorno.

O senador afirmou que não pretende tomar a mesma decisão enquanto considerar que não existem condições adequadas para sua defesa.

"Eu aprendo com os erros e os acertos do presidente Bolsonaro e não vou cometer o mesmo erro", afirmou.

As críticas ao Judiciário feitas pelo parlamentar refletem sua posição política e não constituem comprovação de perseguição institucional.

PL pretende questionar chapa de Lula na Justiça

Embora tenha descartado apresentar uma contestação judicial baseada em suposta fraude na contagem dos votos, Flávio afirmou que o Partido Liberal pretende questionar a chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin por alegado abuso de poder político e econômico.

O senador citou medidas sociais e benefícios anunciados pelo governo durante o período eleitoral, argumentando que teriam favorecido a candidatura de Lula.

Essas alegações dependerão de análise e comprovação perante a Justiça Eleitoral. A existência de programas sociais ou a ampliação de benefícios, isoladamente, não comprova a prática de irregularidade eleitoral.

Possibilidade de candidatura em 2030

Ao ser questionado sobre a possibilidade de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, disputar a Presidência da República em 2030, Flávio respondeu que considera legítimo o interesse de outros integrantes da direita.

O senador também confirmou que poderá voltar a concorrer ao Palácio do Planalto, desde que exista apoio de seu partido e condições para retornar ao Brasil.

Entretanto, ressaltou que, caso Jair Bolsonaro recupere os direitos políticos e possa disputar uma nova eleição presidencial, apoiará a candidatura do pai.

"Se ele ficar elegível, é o meu candidato", afirmou.

As declarações mostram que Flávio Bolsonaro pretende permanecer ativo no cenário político nacional, mesmo estando fora do Brasil. Ao mesmo tempo, a entrevista evidenciou a distância entre suas suspeitas sobre as eleições e a ausência de provas que sustentem uma acusação de fraude.


Fonte: Entrevista de Glenn Greenwald e Isabella Menon para a Folha de S.Paulo, publicada em 6 de novembro de 2026.


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