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ASSISTA: Sebrae fortalece agroindústrias, agricultura familiar e empreendedorismo rural em Rondônia

Diretor-superintendente Beto Anísio destaca apoio aos pequenos negócios, cooperativismo, inovação, acesso ao crédito e agregação de valor à produção do campo

Redação Olá Rondônia / RuralCast
Foto: Olá Rondônia / RuralCast

Sebrae atua do planejamento à abertura de mercados

O fortalecimento da agroindústria, da agricultura familiar e dos pequenos negócios foi o tema central da entrevista com o diretor-superintendente do Sebrae em Rondônia, Beto Anísio, no podcast RuralCast.

O episódio, apresentado por Lenilson Guedes, foi gravado durante a cobertura especial do Grupo Amazun na 2ª AGROTEC, realizada na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho.

Durante a conversa, Beto Anísio explicou que a atuação do Sebrae alcança diferentes segmentos da economia, incluindo comércio, indústria, agronegócio e pequenos empreendimentos rurais.

“O Sebrae é o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. A gente trabalha junto com o comércio, junto com o agro e junto com a indústria.”

O convidado ressaltou que a instituição desenvolve projetos de orientação empresarial, abertura de mercados, educação empreendedora, simplificação de processos e fortalecimento do ambiente de negócios.

Entre as iniciativas mencionadas está o programa Cidade Empreendedora, que aproxima o Sebrae das administrações municipais e contribui para melhorar o atendimento aos empreendedores.

Burocracia ainda dificulta novos negócios

Na avaliação de Beto Anísio, a burocracia permanece entre os maiores obstáculos para quem deseja abrir ou desenvolver uma empresa. Processos demorados, exigências excessivas e falta de informação podem impedir que boas ideias se transformem em negócios sustentáveis.

“A burocracia emperra qualquer empreendimento que você queira colocar em pé.”

O diretor-superintendente destacou a importância da Lei da Liberdade Econômica e das iniciativas municipais destinadas à simplificação do processo de abertura de empresas.

Para ele, os municípios precisam criar condições mais favoráveis para o empreendedor, oferecendo procedimentos claros, atendimento qualificado e segurança para quem deseja investir.

O Sebrae também atua por meio das Salas do Empreendedor, mantidas em parceria com as prefeituras. Esses espaços oferecem orientações sobre formalização, abertura de empresas, capacitações e outras necessidades dos pequenos negócios.

Reforma tributária exige planejamento

Outro tema abordado no RuralCast foi a reforma tributária e seus possíveis impactos sobre os pequenos empreendedores. Beto Anísio alertou que as empresas precisarão redobrar o planejamento para entender as mudanças e escolher o regime mais adequado às suas atividades.

“O planejamento dentro de uma empresa tem que ser redobrado, porque o sistema tributário nacional mudou da água para o vinho.”

Segundo o convidado, o empresário precisa conhecer o perfil dos clientes, analisar a cadeia comercial da qual participa e buscar orientação contábil antes de tomar decisões.

O Sebrae disponibiliza ferramentas, palestras e oficinas para auxiliar os empreendedores durante o período de transição. Entre esses recursos está uma calculadora que ajuda a avaliar os possíveis efeitos do novo sistema tributário sobre os negócios.

“Quanto mais organizado você estiver enquanto empreendedor, melhor. Quem quer empreender precisa começar de forma organizada.”

Capacitação como base para o crescimento

Beto Anísio defendeu que a capacitação é indispensável para a sobrevivência e o crescimento de uma empresa. Não basta produzir ou oferecer um bom serviço: é preciso saber calcular preços, organizar as finanças, divulgar o produto e planejar o futuro.

Entre as capacitações oferecidas está o Empretec, programa voltado ao desenvolvimento do comportamento empreendedor.

“O empreendedor capacitado precisa saber fazer a precificação, o marketing e montar uma estrutura de planejamento para manter o equilíbrio financeiro.”

De acordo com o diretor-superintendente, o equilíbrio financeiro está entre os pilares de qualquer atividade empresarial. Sem controle de custos e planejamento do caixa, o empreendedor pode comprometer a continuidade do próprio negócio.

AGROTEC aproxima produtores, agroindústrias e consumidores

A realização de eventos como a 2ª AGROTEC foi apontada como uma oportunidade importante para aproximar produtores rurais, agroindústrias, instituições e consumidores.

Durante a feira, pequenos negócios conseguem expor seus produtos, realizar vendas, trocar experiências e estabelecer novas parcerias.

“O papel do Sebrae na AGROTEC é extremamente importante, porque várias agroindústrias estão expondo seus produtos. Isso impulsiona a agricultura familiar.”

Para Beto Anísio, as feiras também ajudam a apresentar à sociedade o potencial produtivo de Rondônia. Produtos que antes circulavam apenas dentro das comunidades passam a alcançar novos públicos e mercados.

Além das vendas realizadas durante o evento, os contatos estabelecidos podem gerar oportunidades comerciais de médio e longo prazo.

Investir na agricultura familiar é pensar no futuro

O entrevistado enfatizou que o investimento nos pequenos produtores e nas agroindústrias familiares deve ser ampliado. Segundo ele, a agricultura familiar representa uma base importante para o futuro econômico dos municípios.

O beneficiamento da produção permite transformar matérias-primas em mercadorias de maior valor. Frutas podem virar polpas, geleias e doces; o cacau pode ser transformado em chocolate; o café pode ser torrado, moído e embalado; e diversos produtos extrativistas podem ser comercializados com certificação e identidade própria.

“O investimento na pequena agricultura familiar e na indústria precisa ser massificado, porque essa é a base do futuro.”

Beto Anísio explicou que um território que vende produtos industrializados consegue movimentar mais recursos dentro da própria economia. Isso contribui para gerar empregos, aumentar a renda e fortalecer a arrecadação municipal.

“Todo município que é apenas importador fica mais pobre. O município que exporta traz recursos para dentro do seu território.”

Esses recursos, conforme destacou, ajudam a criar melhores condições para investimentos em educação, saúde, saneamento, infraestrutura e qualidade de vida.

Desenvolvimento rural exige visão de longo prazo

O dirigente do Sebrae também defendeu investimentos planejados para médio e longo prazo. Na agricultura, muitas atividades levam anos para oferecer retorno, especialmente as lavouras permanentes.

“A gente precisa pensar em investimento de longo prazo. A lavoura permanente, quando é plantada, demora para produzir.”

Para Beto Anísio, quem se organizar e investir antecipadamente poderá alcançar resultados mais consistentes no futuro. Essa visão deve envolver produtores, empresas, municípios e instituições parceiras.

O desenvolvimento rural, portanto, não depende apenas de soluções imediatas. Ele exige planejamento, assistência técnica, infraestrutura, qualificação e políticas capazes de garantir continuidade aos projetos.

Cooperativismo amplia força de compra e venda

Ao falar sobre os produtores que desejam deixar de vender apenas a matéria-prima e começar a beneficiar sua produção, Beto Anísio apontou o cooperativismo como uma das principais alternativas.

O Sebrae oferece consultorias voltadas à formação e à organização de cooperativas, além de apoiar missões empresariais para que produtores conheçam experiências bem-sucedidas em outros municípios e estados.

“Sozinho, eu não tenho poder de compra nem poder de venda. É preciso criar uma abertura de mercado.”

Segundo o entrevistado, produzir em grande quantidade não é suficiente quando não existe um mercado preparado para receber a mercadoria.

Por isso, a união entre os produtores pode facilitar a compra de insumos, reduzir custos, aumentar a escala de produção e fortalecer a negociação com compradores.

“O cooperativismo une pessoas para agregar valor e reduzir custos. Quando você reduz custos, aumenta o resultado e melhora a renda.”

A cooperação também ajuda a superar a ideia de que pequenos produtores precisam disputar espaço entre si. Quando trabalham juntos, eles conseguem atender demandas maiores e alcançar mercados que seriam inacessíveis individualmente.

Produtos de Rondônia ganham valor e reconhecimento

Durante a entrevista, Beto Anísio citou exemplos de cadeias produtivas que receberam apoio do Sebrae em Rondônia. Entre elas estão o peixe, o cacau, o chocolate, o café e os produtos do extrativismo.

O convidado ressaltou a importância das indicações geográficas e das certificações como instrumentos de reconhecimento da origem e da qualidade dos produtos.

“São produtos de excelência que podem receber reconhecimento, agregar valor e conquistar novos mercados.”

Essas certificações contribuem para proteger a identidade regional, diferenciar os produtos e aproximá-los de consumidores que valorizam qualidade, procedência e sustentabilidade.

Bioeconomia e turismo criam oportunidades

A entrevista também destacou o potencial econômico existente nas comunidades tradicionais e nas reservas extrativistas de Rondônia.

Beto Anísio mencionou iniciativas envolvendo produtos como castanha, açaí e carne de jacaré, além de projetos ligados à pesquisa, ao turismo e à valorização dos recursos naturais.

O dirigente citou o trabalho realizado em reservas extrativistas próximas a Porto Velho, onde certificações e melhorias estruturais podem fortalecer o turismo e a comercialização de produtos da bioeconomia.

“Ali existe um potencial muito grande para geração de emprego e renda, principalmente no turismo.”

O crescimento dessas atividades pode beneficiar vários setores ao mesmo tempo, como hotelaria, gastronomia, transporte, artesanato e comércio.

Para que esse potencial seja plenamente aproveitado, porém, também são necessários investimentos em estradas, comunicação, energia e outras estruturas de acesso.

Tecnologia e inovação para solucionar problemas

Além das atividades tradicionais do campo, o Sebrae investe em inovação e no desenvolvimento de startups. Beto Anísio destacou que empresas rondonienses apoiadas por programas de inovação já receberam reconhecimento fora do estado.

Entre as estratégias adotadas estão os hackathons, encontros nos quais grupos de estudantes, programadores e empreendedores desenvolvem soluções para problemas enfrentados pelos municípios e pela sociedade.

“O município apresenta um problema e as startups trabalham para criar uma solução.”

As propostas podem envolver logística, coleta de resíduos, atendimento público, organização de processos e outras áreas que podem ser aprimoradas com o uso da tecnologia.

De acordo com o convidado, a inovação ajuda a dar mais velocidade aos serviços e facilita a vida da população, dos produtores e dos empreendedores.

Fundo garantidor facilita acesso ao crédito

O acesso ao crédito também foi abordado no RuralCast. Beto Anísio explicou que muitos pequenos empreendedores apresentam projetos viáveis, mas não possuem garantias suficientes para conseguir um financiamento.

Nessas situações, o Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas, o Fampe, pode complementar as garantias exigidas pelas instituições financeiras, desde que o empreendimento seja aprovado na análise do banco.

“Se o pequeno empreendedor passar pela avaliação do banco, mas não tiver aval, o Sebrae pode entrar com o fundo garantidor.”

O modelo é acompanhado pelo Sebrae para que os recursos sejam aplicados corretamente na atividade empresarial.

O entrevistado reforçou que o dinheiro obtido por meio do financiamento deve ser utilizado na finalidade prevista, como compra de equipamentos, ampliação da produção, melhoria da estrutura ou capital de giro.

“O crédito é extremamente importante, mas o recurso precisa ser colocado na atividade. Não pode ser usado em algo que não tenha relação com o negócio.”

Beto Anísio também mencionou a atuação dos bancos, cooperativas de crédito e programas voltados aos pequenos empreendedores, destacando a presença dessas instituições nos municípios e distritos rondonienses.

Formalização protege o empreendedor

Nas considerações finais, o diretor-superintendente alertou sobre os riscos de realizar atividades comerciais de forma contínua utilizando apenas o CPF.

A falta de formalização pode gerar multas, cobranças tributárias e outros problemas perante os fiscos municipal, estadual e federal.

“O importante é abrir a empresa e se regularizar. Isso é muito importante para o empreendedor e para o estado de Rondônia.”

O Sebrae mantém agências em diferentes regiões de Rondônia e atua em parceria com as Salas do Empreendedor existentes nos municípios.

Beto Anísio convidou quem já possui um negócio ou pretende começar uma atividade empresarial a procurar uma dessas unidades.

“Você que já é empreendedor ou está querendo empreender, procure o Sebrae. A instituição oferece orientação para que você encontre a melhor opção.”

Empreendedorismo transforma territórios

A participação de Beto Anísio no RuralCast demonstrou que o desenvolvimento da agroindústria e da agricultura familiar depende da atuação conjunta de produtores, instituições, empresas e poder público.

Capacitação, planejamento, formalização, cooperativismo, acesso ao crédito, inovação e abertura de mercados são ferramentas que podem transformar pequenos empreendimentos em atividades sustentáveis.

Ao apoiar os produtores na agregação de valor, o Sebrae contribui para manter as famílias no campo, gerar empregos e movimentar a economia dos municípios.

“Vale a pena empreender. Empreendendo, você pode chegar ao tamanho que quiser.”

A entrevista integra a cobertura especial do RuralCast, podcast do Grupo Amazun, no canal Olá Rondônia, durante a 2ª AGROTEC, em Porto Velho.


Assista ao episódio completo:


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