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ASSISTA: Produção de soja e milho supera 5 milhões de toneladas e impulsiona economia de Rondônia

Em entrevista ao RuralCast, Victor Paiva destacou a expansão das lavouras, a integração com a pecuária, os serviços da Aprosoja e os desafios de infraestrutura, industrialização e qualificação profissional

Redação Olá Rondônia / RuralCast
Foto: Olá Rondônia / RuralCast

Aprosoja representa produtores de soja e milho

A força da produção de soja e milho e o potencial de crescimento do agronegócio rondoniense foram os principais assuntos de uma edição especial do RuralCast, gravada durante a 2ª AGROTEC, em Porto Velho.

O convidado foi Victor Paiva, diretor-executivo da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Rondônia. Durante a entrevista conduzida pelo apresentador Lenilson Guedes, ele explicou que a Aprosoja atua principalmente na defesa de interesses coletivos e na solução de problemas que ultrapassam os limites das propriedades.

“As demandas coletivas e os direitos dos produtores de soja e milho, da porteira para fora, chegam à Aprosoja.”

Segundo Victor, um problema interno da propriedade normalmente precisa ser administrado pelo próprio produtor. Quando a dificuldade passa a afetar diversas propriedades, porém, ela se transforma em uma demanda coletiva do setor.

É o que ocorre quando estradas, pontes e outras estruturas utilizadas para transportar a produção apresentam problemas. Nesses casos, a associação procura o órgão responsável, que pode ser uma prefeitura, uma secretaria estadual ou o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, conforme a localização da via.

União fortalece pequenos produtores

A Aprosoja reúne aproximadamente 280 a 290 associados, responsáveis por uma parcela estimada entre 60% e 70% da área plantada com soja no estado.

Victor convidou os produtores que ainda não participam da associação a conhecerem o trabalho desenvolvido pela entidade. Segundo ele, a união é especialmente importante para os pequenos agricultores, que nem sempre possuem máquinas próprias, estruturas de secagem ou condições de contratar consultorias especializadas.

“A Aprosoja é útil para todos, mas ajuda muito o pequeno produtor, que sozinho nem sempre possui estrutura ou consegue fazer sua demanda ser ouvida.”

A organização coletiva permite que os produtores compartilhem necessidades, recebam orientações e tenham maior representatividade diante das instituições públicas e privadas.

Área de soja alcança 718 mil hectares

Ao apresentar os resultados da última safra, Victor Paiva informou que Rondônia encerrou o ciclo com aproximadamente 718 mil hectares cultivados com soja.

Na safra anterior, a área era de cerca de 694 mil hectares. O avanço, portanto, foi estimado em 4,5%.

“Saímos de aproximadamente 694 mil hectares para 718 mil hectares de soja, um aumento de 4,5%.”

Apesar do crescimento, Victor observou que o ritmo ficou abaixo do registrado em anos anteriores, quando a expansão chegou a variar entre 10% e 16% de uma safra para outra.

A área destinada ao milho ficou próxima de 520 mil hectares. Grande parte do cereal é cultivada na segunda safra, depois da colheita da soja.

Planejamento depende da janela e das chuvas

Durante a entrevista, o diretor-executivo explicou que o cultivo da soja obedece a uma janela de plantio. Conforme o período mencionado no programa, a semeadura comercial pode ocorrer entre 11 de setembro e 9 de janeiro.

Plantar mais cedo pode facilitar a implantação do milho na sequência. Entretanto, o planejamento depende das condições climáticas, pois atrasos nas chuvas podem postergar o plantio da soja e reduzir o tempo disponível para a segunda safra.

“O produtor que consegue plantar soja cedo também consegue plantar o milho mais cedo.”

Victor alertou que não basta implantar o milho apenas para cumprir um calendário. É preciso analisar se haverá umidade e chuva suficientes para o desenvolvimento da cultura.

“Não adianta plantar milho apenas por plantar. É preciso ter chuva depois.”

Para o diretor, a combinação entre calendário, clima, tecnologia e gestão transforma cada safra em um verdadeiro quebra-cabeça, que exige conhecimento técnico e acompanhamento diário.

Rondônia pode chegar a três milhões de hectares

Victor classificou Rondônia como um estado de grande potencial produtivo. Segundo ele, os atuais 718 mil hectares correspondem a aproximadamente um quarto da capacidade que poderia ser alcançada.

A projeção apresentada é de que o estado possa chegar a cerca de três milhões de hectares cultivados, sem a necessidade de derrubar novas áreas de floresta.

“Rondônia pode chegar a três milhões de hectares sem derrubar uma árvore.”

Esse crescimento, segundo o diretor, pode ocorrer principalmente pela utilização de pastagens degradadas e áreas anteriormente abertas, que podem ser recuperadas e incorporadas a sistemas produtivos mais eficientes.

Integração entre lavoura e pecuária

A integração entre soja, milho e pecuária foi apontada como uma alternativa para aumentar a rentabilidade das propriedades e recuperar áreas de pastagem.

Em um mesmo espaço, o produtor pode cultivar soja, implantar milho na sequência e formar a pastagem abaixo do cereal. Após a colheita, o pasto fica disponível para receber o gado.

“Há produtores que conseguem ter três safras: soja, milho e pastagem.”

Victor explicou que a soja pode ocupar o terreno durante parte do ano e ajudar a financiar a recuperação do solo. Depois da colheita, a área retorna à atividade pecuária com melhores condições de produção.

“A soja pode ajudar a pecuária a pagar a terra, recuperar a área e melhorar a rentabilidade da propriedade.”

O sistema, entretanto, exige planejamento rigoroso e conhecimento técnico. O produtor precisa acompanhar plantio, colheita, formação da pastagem, entrada dos animais e conservação do solo.

Serviço de classificação protege o produtor

Outro assunto abordado foi o serviço de classificação de grãos oferecido pela Aprosoja. A iniciativa pode auxiliar na conferência da qualidade da soja entregue às empresas compradoras.

Segundo Victor, a soja precisa atender aos padrões comerciais de umidade e avarias. Ele mencionou como referência o limite de 14% de umidade e de 8% de avarias.

“A soja não pode ter mais de 14% de umidade nem ultrapassar o percentual permitido de avarias.”

Em alguns casos, a classificação realizada na propriedade pode apresentar resultado diferente daquele encontrado no destino da carga. A divergência interfere no valor recebido pelo produtor.

Nessas situações, o serviço disponibilizado pela Aprosoja pode realizar uma análise independente para verificar as condições do produto e produzir um laudo técnico.

“Uma diferença aparentemente pequena na classificação pode representar um prejuízo significativo dentro de uma carreta.”

Em uma carga de 45 a 47 toneladas, cada ponto percentual descontado pode causar impacto financeiro considerável. Por isso, a classificação adequada é tratada como uma forma de transparência e proteção na comercialização.

Produção supera 5,3 milhões de toneladas

De acordo com os números apresentados durante o RuralCast, a última safra de soja de Rondônia alcançou aproximadamente 2,8 milhões de toneladas.

A produção de milho foi estimada em cerca de 2,5 milhões de toneladas. Somadas, as duas culturas movimentaram aproximadamente 5,3 milhões de toneladas de grãos.

“Somando soja e milho, estamos falando de cerca de 5,3 milhões de toneladas produzidas em Rondônia.”

Victor explicou que a soja está fortemente direcionada ao mercado de exportação, enquanto o milho possui participação expressiva no consumo interno. Segundo ele, aproximadamente 40% do milho é exportado e 60% permanece no país.

“O milho atende tanto ao mercado externo quanto ao consumo interno, movimentando diferentes cadeias produtivas.”

Além dos dois grãos, Rondônia também possui cadeias relevantes de café, arroz, pecuária e outras atividades que ajudam a diversificar a economia estadual.

Porto Velho ocupa posição de destaque

Porto Velho foi apontado como o segundo município de Rondônia em área plantada com soja, atrás apenas de Corumbiara, no Cone Sul.

De acordo com Victor, a capital possui aproximadamente 57 mil hectares dedicados à cultura e apresenta condições para continuar avançando.

“Porto Velho já é o segundo município em área plantada com soja no estado.”

O crescimento da produção no município é favorecido pela extensão territorial, pela disponibilidade de áreas, pelo valor da terra e pela proximidade com os pontos de transbordo de grãos no rio Madeira.

A logística reduz parte dos custos de transporte, especialmente para as propriedades localizadas próximas às rotas de escoamento.

Victor avalia que Porto Velho poderá superar Corumbiara nos próximos anos caso mantenha o atual ritmo de expansão.

Terra e arrendamento atraem produtores

A diferença entre o valor das terras no Cone Sul e em Porto Velho também ajuda a explicar a expansão das lavouras na capital.

Segundo Victor, áreas localizadas em municípios com agricultura consolidada são consideravelmente mais caras. Os valores de arrendamento também tendem a ser maiores nessas regiões.

Porto Velho ainda oferece áreas com preços mais acessíveis, embora a valorização já esteja em andamento.

“O preço da terra, o custo do arrendamento e a proximidade do transbordo tornam Porto Velho uma região atrativa para a produção.”

O avanço da infraestrutura também valoriza as propriedades. A chegada do asfalto, por exemplo, melhora o acesso, reduz o custo do transporte e eleva o valor da terra.

Produtividade média chega a 63 sacas

Victor informou que a produtividade média da soja em Rondônia está em torno de 63 sacas por hectare.

O resultado representa uma evolução em relação aos anos anteriores, quando a média estadual estava próxima de 59 sacas. Conforme o diretor, a produtividade tem avançado aproximadamente uma saca por hectare a cada ano.

“Hoje, a produtividade média do estado é de aproximadamente 63 sacas por hectare.”

Em áreas menores e altamente tecnificadas, há registros de produtividade entre 84 e 90 sacas por hectare. O Cone Sul mantém médias superiores às verificadas no norte do estado devido a fatores como clima, altitude, experiência acumulada e maior tempo de cultivo.

Victor explicou que áreas novas geralmente apresentam produtividade inferior durante as primeiras safras. Depois de quatro ou cinco ciclos, com a correção e o desenvolvimento da estrutura do solo, os resultados tendem a melhorar.

Tecnologia está presente em todas as etapas

A tecnologia foi tratada como um elemento indispensável para a produção de soja e milho. Ela está presente desde a preparação do solo e escolha dos insumos até a colheita, secagem, transporte e classificação.

“A tecnologia é imprescindível. Ela está no plantio, no insumo, na colheita, na secagem, no transporte e na classificação.”

O transporte também precisa ser realizado de maneira adequada para evitar perdas ou danos à qualidade dos grãos. Já a secagem deve garantir os níveis exigidos pelo mercado.

Victor ressaltou que os próprios produtores passaram a dominar cada vez mais as informações técnicas. Por isso, consultores e empresas que desejam trabalhar com o setor precisam estar preparados e manter uma qualificação constante.

“Para orientar um produtor profissional, a consultoria também precisa conhecer profundamente a atividade.”

Próximo passo é industrializar os grãos

Apesar do crescimento da produção, Victor apontou que Rondônia precisa avançar na industrialização. Em vez de apenas colher, secar e transportar os grãos, o estado pode transformá-los em produtos de maior valor agregado.

“O próximo passo do grão em Rondônia é a industrialização.”

O milho pode ser utilizado na fabricação de etanol e na produção de DDG, coproduto empregado na alimentação animal. A soja pode ser esmagada para gerar farelo, óleo e biodiesel.

“O milho precisa virar etanol e alimento para o gado. A soja precisa virar farelo, óleo e biodiesel.”

A industrialização pode atrair investimentos, gerar empregos, fortalecer a pecuária, reduzir custos e manter uma parcela maior da riqueza dentro do estado.

Falta de mão de obra é um dos gargalos

A expansão agroindustrial, porém, enfrenta um desafio: a falta de profissionais qualificados. Segundo Victor, Rondônia oferece muitas oportunidades, mas não possui trabalhadores capacitados em quantidade suficiente para acompanhar o crescimento.

“A mão de obra é um gargalo. Não basta gerar emprego; é preciso qualificar pessoas para ocupar essas vagas.”

Empresas interessadas em instalar indústrias precisam encontrar operadores de máquinas, técnicos, mecânicos, profissionais de manutenção e trabalhadores preparados para diferentes etapas da produção.

O diretor afirmou que essa demanda já foi apresentada ao Governo de Rondônia e precisa ser enfrentada por meio de programas de formação profissional.

“Hoje, a necessidade não é apenas gerar emprego e renda. Precisamos formar mão de obra.”

Victor citou como exemplo os operadores de colheitadeiras, que podem receber entre R$ 8 mil e R$ 9 mil mensais, conforme a experiência, o empregador e as condições do serviço.

Campo e cidade dependem um do outro

Ao falar sobre os empregos rurais, o diretor-executivo destacou que os recursos gerados no campo também movimentam a economia urbana.

Os trabalhadores compram alimentos, roupas, veículos e serviços nas cidades. As propriedades contratam oficinas, empresas de transporte, lojas de máquinas, profissionais técnicos e diferentes fornecedores.

“O setor rural está diretamente vinculado ao setor urbano.”

Por isso, o crescimento das lavouras não beneficia somente os proprietários das áreas cultivadas. Ele movimenta o comércio, gera arrecadação e cria oportunidades em diferentes segmentos.

Participação na 2ª AGROTEC

Victor Paiva elogiou a estrutura e a organização da 2ª AGROTEC. A Aprosoja participou das duas edições do evento e levou informações aos produtores interessados em conhecer os serviços da associação.

Para ele, a feira demonstra potencial de crescimento e contribui para aproximar agricultores, instituições públicas, empresas, especialistas e a população urbana.

“A soja e o milho já são uma realidade em Rondônia e possuem um potencial enorme.”

Ao abrir espaço para o debate, o RuralCast mostrou como as duas culturas participam da economia estadual e quais decisões serão necessárias para que Rondônia avance com produtividade, sustentabilidade e agregação de valor.

A entrevista também reforçou que o futuro do setor passa pela recuperação de áreas degradadas, integração com a pecuária, melhoria da infraestrutura, uso de tecnologia, industrialização e formação de profissionais.


Assista à entrevista completa no canal Olá Rondônia:




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