Rondônia

Exposição sobre Parintins apoiada pelo Sebrae bate recorde de público no Rio de Janeiro

Redação

A cultura do boi-bumbá de Parintins tem demonstrado sua força no Rio de Janeiro, atraindo um público expressivo para a exposição “Boi-Bumbá de Parintins: Do Brincar ao Futuro”. Em cartaz no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), a mostra recebeu 10.531 visitantes entre 23 de julho e 15 de agosto, em pouco mais de três semanas.

Este fluxo de pessoas consolidou a exposição, realizada pelo Sebrae Amazonas, como um fenômeno de público no CRAB. Apenas na primeira semana, 5.349 pessoas visitaram o espaço, um resultado inédito para o local. Nos sábados, dias de maior movimento, a exposição chegou a registrar mais de 1.500 visitantes em um único dia, com 1.570 em 25 de julho e 1.565 em 1º de agosto.

O sucesso da mostra reforça a capacidade de Parintins de gerar interesse cultural para além do período do Festival Folclórico. O objetivo central é apresentar ao público brasileiro não apenas o espetáculo dos bois Garantido e Caprichoso, mas também os artistas, artesãos, conhecimentos, técnicas e a diversidade que posicionam a arte parintinense como uma importante expressão da economia criativa do Brasil.

Betina Monnerat, analista do CRAB, atribui a grande receptividade à potência cultural de Parintins e à habilidade dos artistas em transformar a tradição em experiências que conectam diversos públicos à cultura amazônica. “Somos um Brasil com muitos ‘Brasis’. O CRAB é esse espaço que mergulha na cultura do nosso país, em todas as regiões, e agora desembarcamos no Norte, mais especificamente no Amazonas, no coração da Amazônia, para apresentar ao público esse fenômeno que acontece em Parintins, que é o Festival Folclórico, patrimônio imaterial”, explica.

Ela complementa: “Mas, além do Festival, existem esses artistas plásticos e artesãos que fazem trabalhos minuciosos, extremamente envolventes, que encantam e enchem os olhos. Se aprofundar nessa cultura é uma aula. Acredito que o sucesso da exposição se dá pela força motriz que permeia Parintins, sua cultura, sua arte e o trabalho desenvolvido pelo povo de lá.”

Público se emociona e recomenda a visita

A experiência dos visitantes contribui para explicar os números. Ana Cristina Rodrigues, professora de História, visitou a exposição após acompanhar sua divulgação e destacou o potencial didático da mostra. “Gostei muito! Achei os textos para leitura curtos e objetivos. Como professora, eu sei que isso funciona muito bem didaticamente. Vivenciar isso numa exposição, com a possibilidade de trazer justamente um aluno para ter uma aula-passeio, é fantástico.”

A sala dos Encantados, com esculturas inspiradas no lendário amazônico, foi o ponto alto para Ana Cristina. “Eu gostei da sala onde você vê a vitória-régia, todos os seres lendários da mitologia, suspensos no ar. Não é uma coisa totalmente tecnológica, é uma coisa mecânica, humana, onde você se sente dentro da exposição.”

Heloísa Helena de Oliveira, outra visitante, saiu do CRAB com a intenção de divulgar a mostra. Após conhecer a exposição a convite de uma amiga, ela afirmou que pretende compartilhar a experiência com outras pessoas. “Os trabalhos estão irrepreensíveis e de um bom gosto maravilhoso! Eu amei tudo, não saberia nem escolher uma sala preferida porque gostei de todas. Registrei tudo em fotos e já vou avisar sobre a exposição, porque é imperdível!”

Do Festival ao futuro

A exposição é fruto do projeto Parintins Criativo: Do Festival ao Futuro, iniciativa do Sebrae Amazonas para expandir as oportunidades de atuação de artistas e artesãos para além do período do Festival. No CRAB, essa jornada é contada através de mais de 300 peças, que incluem Mini Bois, esculturas, alegorias, figurinos, croquis, instalações e produtos criados a partir do reaproveitamento de materiais. A mostra, inaugurada em julho, permanecerá em cartaz no CRAB até março de 2027.

Lilian Simões, gestora do projeto de Artesanato do Sebrae Amazonas e uma das idealizadoras da mostra, explicou que a proposta visa ampliar a percepção sobre o potencial econômico e criativo por trás do espetáculo.

“Para o projeto, partimos da ideia de que tradição e sustentabilidade precisam se transformar em atitude. As grandes agremiações já dão novo destino a materiais que não utilizam, repassando parte deles ao Mini Garantido e ao Mini Caprichoso. O Sebrae enxergou nesse movimento uma oportunidade de ampliar esse olhar e mostrar que, em vez de desperdício, há reaproveitamento e geração de valor. Madeira, ferro e outros materiais podem ganhar nova vida, transformar-se em produtos e abrir possibilidades de negócios. É uma forma de mostrar que cultura, inovação e sustentabilidade podem caminhar juntas, fortalecendo não apenas os bois, mas toda a comunidade que pulsa em torno deles”, destacou.

Cultura que também gera renda

O impacto da exposição vai além das salas do CRAB, alcançando diretamente os artesãos participantes. Em apenas 15 dias, os produtos de artesãos do Amazonas comercializados na loja do CRAB geraram mais de R$ 30 mil em vendas, mesmo ocupando um espaço reduzido no local.

Este resultado demonstra que a presença da produção amazonense no Rio de Janeiro não se limita à divulgação cultural, mas também cria oportunidades reais de comercialização e geração de renda para os artesãos do Amazonas, conectando seus produtos a novos mercados.

Uma vitrine também para novos públicos

A exposição também tem expandido o contato de estudantes com a cultura amazônica. Até outubro, cerca de 30 atividades educativas já estão agendadas no CRAB, com previsão de atender mais de 700 estudantes. A expectativa é alcançar mil alunos até dezembro, ampliando o alcance da mostra para além do público espontâneo.

A programação educativa reforça uma das dimensões da exposição: apresentar Parintins não apenas como espetáculo, mas como um território de cultura, criatividade, conhecimento e produção artística.

Realizada pelo Sebrae Amazonas em parceria com o CRAB, a exposição “Boi-Bumbá de Parintins: Do Brincar ao Futuro” oferece entrada gratuita e atua como uma vitrine nacional para a cultura amazonense. A mostra ocupa oito ambientes temáticos, abrangendo desde o universo do brincar e dos Mini Bois até a grandiosidade das alegorias do Caprichoso e do Garantido, explorando a trajetória dos artistas, o imaginário amazônico e o ecossistema de sustentabilidade e economia criativa que envolve o Festival.

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