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Esporte pode ser ferramenta para desenvolvimento econômico, apontam especialistas

Redação

Uma audiência pública da Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados, realizada nesta terça-feira (7), destacou o potencial do esporte como motor de desenvolvimento econômico no Brasil. Dados do Ministério do Trabalho, Censo Escolar e Receita Federal revelam que o setor gera 330 mil empregos formais, conta com mais de 1.200 empresas de turismo esportivo e emprega mais de 400 mil professores de educação física.

João Moretti, coordenador técnico do Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva (IPIE), expressou preocupação com a subvalorização do esporte, apesar de seu impacto. Ele apontou que, em 2025, os investimentos governamentais no setor foram mínimos: 0,04% do orçamento federal, 0,02% dos estaduais e 0,01% dos municipais.

Moretti argumentou que o retorno do investimento no esporte é significativamente maior do que o capital aplicado, contrastando com a percepção comum de que o setor cultural gera mais retorno. Ele defendeu uma mudança nessa visão.

Moretti também revelou que, entre 2007 e 2024, a Lei Rouanet captou cerca de R$ 26,8 bilhões, enquanto a Lei de Incentivo ao Esporte atraiu pouco mais de R$ 6 bilhões. A presidente do Instituto Sou do Esporte, Fabiana Bentes, observou que, nesse cenário, o Brasil se posiciona entre Itália e Alemanha, e criticou o Plano Nacional do Desporto (PND) por não detalhar como as metas seriam alcançadas financeiramente.

"O PND estabelece metas, mas não especifica como elas serão atingidas, nem os recursos necessários para isso. Precisamos discutir financiamento", alertou Bentes.

Fabiana Bentes ressaltou que o esporte influencia mais de 20 setores econômicos, incluindo indústria, saúde, bem-estar, serviços e entretenimento, além de impulsionar o comércio informal, a venda de produtos, apostas e turismo esportivo. Ela afirmou que cada R$ 1 investido pela iniciativa privada no esporte gera um retorno de R$ 23 para a economia. Para otimizar essa visibilidade, Bentes defende a criação de políticas de compartilhamento de dados e a regulamentação do Plano Nacional do Esporte, com diretrizes claras para investimentos públicos.

Comparando a captação do ano anterior, Bentes apontou que a cultura atraiu cerca de R$ 3,1 bilhões, enquanto o esporte obteve R$ 1,4 bilhão. Ela sugeriu que, se as cem maiores empresas que investem em cultura destinassem metade desse valor ao esporte, o setor receberia R$ 345 milhões adicionais. A questão central, segundo ela, é compreender por que essas empresas não investem no esporte.

Aumento nos investimentos

A Lei de Incentivo ao Esporte, que opera de forma similar à Lei Rouanet, permite que empresas e pessoas físicas direcionem parte de seus impostos para projetos esportivos e paradesportivos. Desde sua sanção, em 2007, quando contava com 20 projetos, a iniciativa expandiu-se significativamente, alcançando mais de 6,6 mil projetos em 2024.

Ricardo Paolucci, consultor de Projetos Esportivos Incentivados, informou que os investimentos cresceram 15% ao ano até 2020 e 28% entre 2021 e 2025, impulsionados pela desburocratização na análise de projetos. O montante total aportado de 2007 a 2025 atingiu R$ 7,634 bilhões.

Apenas no ano passado, a Lei de Incentivo ao Esporte viabilizou a captação de R$ 1,379 bilhão, beneficiando 5.633 projetos protocolados, com a participação de 4.103 patrocinadores e 4.089 doadores pessoas físicas.

O deputado Luiz Lima (Novo-RJ) presidiu a audiência pública e celebrou o vasto alcance econômico do esporte. Ele destacou que o setor atua em diversas áreas da economia, superando até mesmo a cultura, que muitos associam a grandes movimentações financeiras. "O esporte é uma máquina", afirmou o deputado.

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