Agronegócio

Sem margem no produtor, nada feito: Citi vê resultado fraco na Kepler Weber

Redação

O Citi projeta um cenário desafiador para a Kepler Weber, fabricante de silos agrícolas, no segundo trimestre, com a expectativa de resultados fracos. A análise do banco, divulgada em relatório na terça-feira pelo analista André Mazini, aponta que as dificuldades persistirão enquanto os produtores rurais enfrentarem margens apertadas. A companhia gaúcha tem previsão de divulgar seu balanço trimestral em 12 de agosto.

A receita líquida da Kepler Weber é estimada pelo Citi em R$ 307 milhões, indicando uma queda de 1,3% em comparação anual. Mazini ressalta que o faturamento será impactado principalmente pelo segmento de fazendas, que se mantém fragilizado e pode registrar uma retração de 10%.

O Citi observa que, apesar dos esforços de diversificação de receita nos últimos anos, a empresa ainda depende significativamente do negócio tradicional de silos para produtores rurais, que representa cerca de 30% das receitas.

Com as finanças dos produtores rurais sob pressão — devido a preços baixos, custos elevados, juros altos e crédito limitado — até 2027, grande parte do público-alvo da Kepler Weber não consegue considerar investimentos substanciais em armazenagem, mesmo diante do déficit histórico do país neste setor.

Nesse contexto, o Ebitda da Kepler Weber no segundo trimestre deve apresentar uma queda ainda maior, conforme projeção do Citi. A expectativa é que o Ebitda da companhia atinja R$ 27 milhões, uma redução de 29%, resultando na margem Ebitda mais baixa desde 2018, abaixo de 9%.

A força do balanço

Contudo, a sólida estrutura de capital da Kepler Weber é vista como um fator que deve manter a empresa no lucro, com uma estimativa de R$ 12 milhões de lucro líquido no trimestre.

O analista do Citi destaca que “a empresa mantém uma política rigorosa de posição de caixa líquido, um ponto forte durante a atual desaceleração do setor”.

Apesar da solidez do balanço, o Citi não prevê que isso será suficiente para sustentar o preço das ações. O banco mantém a recomendação de venda para as ações da Kepler Weber (KEPL3), com um preço-alvo de R$ 5,60 em 12 meses, o que representa 11,6% abaixo do valor atual de R$ 6,34.

O Citi conclui que “enquanto não observarmos uma recuperação na rentabilidade dos agricultores, não esperamos uma melhora significativa nos resultados da Kepler”.

A projeção de queda na receita anual é notável, considerando que o período de comparação em 2025 já era marcado por fragilidade. Naquela época, a empresa demonstrava paciência diante das dificuldades e antecipava uma retomada para o semestre seguinte, que ainda não se concretizou.

Anteriormente, a Kepler Weber chegou a negociar a venda de parte de seu capital para a GSI, concorrente americana, em uma potencial combinação de negócios. O acordo, que poderia prejudicar acionistas minoritários, acabou não sendo concretizado.

Nesta quarta-feira (8), as ações da Kepler Weber (KEPL3) operavam em queda de 1,41%, cotadas a R$ 6,34 por volta das 12h. Nos últimos 12 meses, o papel acumula uma desvalorização de 16,63%, e a empresa está avaliada em R$ 1,11 bilhão.

Fonte: theagribiz

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