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Juiz transforma madeira apreendida em reflorestamento e projetos sociais em Rondônia

Magistrado Maximiliano Deitos destaca iniciativa ambiental que une recuperação de áreas degradadas, apoio aos municípios e valorização dos povos indígenas

Redação Ji-Paraná Notícias
Foto: Grupo Amazun / Ji-Paraná Notícias

Com quase três décadas de atuação na magistratura, o juiz de Direito Maximiliano Deitos afirmou que sua relação com Rondônia foi além da atuação no Judiciário e passou a envolver também uma missão ambiental e social. Natural do Paraná, ele chegou ao estado após aprovação em concurso para juiz em 1999 e passou por cidades como Ariquemes, Santa Luzia d’Oeste, Rolim de Moura e Ouro Preto do Oeste até assumir atuação em Ji-Paraná.


Durante a entrevista, o magistrado explicou que a criação do projeto ocorreu após experiências vividas durante o período da pandemia, quando teve contato direto com aldeias indígenas e passou a compreender com maior profundidade a importância da preservação ambiental e do fortalecimento das comunidades tradicionais.


“A partir da pandemia, foi quando eu visitei a primeira aldeia indígena e percebi a importância dos povos indígenas e da necessidade de ser um instrumento de prosperidade e felicidade para a população”, destacou o juiz.


O projeto criado por Maximiliano Deitos passou a utilizar madeira apreendida em crimes ambientais para beneficiar diretamente a sociedade. Segundo ele, materiais que antes permaneciam armazenados em órgãos de fiscalização passaram a ser destinados para ações públicas e ambientais.


A iniciativa reúne coleta de sementes, construção de viveiros e recuperação florestal, envolvendo municípios e comunidades indígenas em um processo contínuo de reflorestamento e urbanização sustentável.


De acordo com o magistrado, as madeiras apreendidas são utilizadas em estruturas públicas como pontes, escolas, bancos de praça, parques e reformas em unidades públicas. Paralelamente, as sementes coletadas são utilizadas para recuperação de matas ciliares, nascentes e áreas degradadas.


“Transformamos o produto do crime em benefício para a sociedade e para o meio ambiente”, afirmou.


O projeto, denominado “Escolhendo Sementes, Construindo Viveiros, Plantando Florestas”, nasceu oficialmente no fim de 2020 e rapidamente ganhou reconhecimento nacional. Em 2024, a iniciativa foi premiada entre os melhores projetos ambientais do Brasil em uma premiação de inovação promovida nacionalmente, ficando entre os sete projetos de maior destaque do país.


Além do reconhecimento ambiental, Maximiliano Deitos também recebeu homenagem pelo trabalho desenvolvido em Rondônia ao longo de sua carreira no Judiciário. O magistrado ressaltou que o reconhecimento representa não apenas uma conquista pessoal, mas também uma valorização da atuação institucional voltada ao interesse coletivo.


Segundo ele, iniciativas sustentáveis precisam envolver poder público, população e consciência ambiental para gerar resultados permanentes.


A proposta defendida pelo juiz reforça um modelo de desenvolvimento sustentável que alia justiça ambiental, recuperação de áreas degradadas e melhoria da qualidade de vida nas cidades rondonienses, utilizando recursos provenientes de crimes ambientais para reconstrução social e preservação ecológica.


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