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Uso irregular de drones no agro preocupa Idaron e pode gerar prejuízos milionários em Rondônia

Auditor agropecuário Jesse de Oliveira Jr. alerta para riscos de aplicações clandestinas e anuncia novas regras para fiscalização de drones agrícolas no estado

Redação Ji-Paraná Notícias

A modernização do agronegócio trouxe avanços importantes para a produção rural, mas também criou novos desafios relacionados à fiscalização e ao uso responsável da tecnologia no campo. Em Rondônia, um dos temas que mais preocupa os órgãos de defesa agropecuária atualmente é a utilização irregular de drones agrícolas para pulverização de agrotóxicos.


Durante entrevista concedida na 13ª Rondônia Rural Show, o auditor fiscal agropecuário da Idaron e gerente estadual de defesa vegetal, Jesse de Oliveira Jr., destacou que o crescimento acelerado do uso de drones no agro exige maior conscientização dos produtores e controle rigoroso por parte das autoridades.


Segundo Jesse, a tecnologia em si representa um avanço extremamente positivo para o setor produtivo, principalmente para pequenos produtores e propriedades com áreas de difícil acesso. O problema, segundo ele, está na atuação de operadores clandestinos que realizam aplicações sem treinamento, sem registro e sem respeitar normas técnicas básicas de segurança.


“O drone é uma ferramenta excepcional para o agro moderno. Ele facilita aplicações em terrenos acidentados, melhora a eficiência operacional e reduz custos. O problema não é a tecnologia, mas o uso irresponsável dela”, afirmou.


De acordo com Jesse de Oliveira Jr., a Idaron já registrou casos graves envolvendo deriva de agrotóxicos causada por aplicações feitas de maneira inadequada. Em algumas situações, propriedades vizinhas tiveram plantações inteiras prejudicadas após pulverizações realizadas fora dos padrões exigidos.


Um dos exemplos citados por ele envolve produtores de cacau de qualidade em Rondônia. Segundo Jesse, famílias que passaram anos investindo em manejo, enxertia e desenvolvimento da lavoura tiveram prejuízos após deriva química provocada por drones operados sem responsabilidade técnica.


“Às vezes o vizinho, sem maldade, contrata um prestador de serviço sem qualificação. O operador levanta o drone sem observar vento, temperatura, altitude e acaba atingindo a lavoura ao lado. Um trabalho de dez anos pode ser destruído em poucos minutos”, alertou.


Além dos prejuízos agrícolas, Jesse revelou que Rondônia também já registrou situações envolvendo deriva de agrotóxicos atingindo áreas urbanas e até escolas. Segundo ele, muitos operadores utilizam produtos inadequados para aplicação aérea ou ignoram regras fundamentais previstas na legislação.


A preocupação da Idaron aumentou devido ao crescimento rápido do número de drones em circulação no estado. Segundo o gerente estadual de defesa vegetal, muitos equipamentos estão sendo operados por pessoas sem capacitação técnica e sem qualquer controle oficial.


Para enfrentar o problema, a agência anunciou novas medidas de fiscalização. Uma das principais mudanças será a criação da Guia de Trânsito de Agrotóxicos para drones agrícolas, documento que funcionará como uma autorização obrigatória para transporte e operação dos equipamentos utilizados em pulverização.


A emissão da guia dependerá do cumprimento de uma série de exigências, incluindo registro do drone, capacitação do operador, regularização junto aos órgãos competentes e comprovação das condições técnicas necessárias para realização das aplicações.


Segundo Jesse, a medida tem como objetivo aumentar a rastreabilidade das operações, garantir segurança jurídica aos produtores e impedir a atuação clandestina no setor. A expectativa é que o novo sistema também ajude a proteger operadores que atuam corretamente dentro da legislação.


“O produtor rural precisa entender que ao contratar um operador clandestino ele também assume responsabilidade sobre eventuais danos causados. Quando o prestador é registrado e segue as normas, existe segurança para todos os lados”, explicou.


A Idaron reforça que o avanço tecnológico no campo é inevitável e positivo, mas destaca que o crescimento da agricultura de precisão precisa ser acompanhado por responsabilidade técnica, qualificação profissional e cumprimento rigoroso das normas de segurança.


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Foto: Grupo Amazun / Ji-Paraná Notícias

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