O projeto "Vivência do Madeira: território, SUS, participação social e rede intersetorial no enfrentamento da violência contra a mulher" teve início em Rondônia no dia 18 de maio. A iniciativa visa fortalecer o atendimento humanizado a mulheres vítimas de violência sexual na Rede Pública de Saúde e reúne 33 participantes, entre profissionais da saúde e estudantes dos cursos de medicina, enfermagem, psicologia e terapia ocupacional. A programação, que se estende até o próximo domingo (24), inclui atividades em Porto Velho e na comunidade de São Carlos, focando na qualificação do acolhimento, da escuta e da atuação integrada da rede de proteção.
Durante a vivência, os participantes interagem com agentes da rede de atendimento e proteção à mulher em situação de violência, promovendo discussões sobre humanização no atendimento em saúde, ética, comunicação sensível, políticas públicas e atuação intersetorial.
O governador de Rondônia, Marcos Rocha, destacou que a iniciativa fortalece a rede de atendimento e amplia o cuidado humanizado às mulheres vítimas de violência. “Ações como essa expressam o compromisso social e institucional no enfrentamento das violências e na defesa da vida de mulheres e crianças”, afirmou.
Nas apresentações iniciais, os participantes foram convidados a compartilhar uma palavra que os representasse. Termos como determinação, força, cuidado, acolhimento, entusiasmo, persistência, perseverança, coragem, descoberta, esperança, gratidão, foco, servir, ativismo, legado e expansão foram citados, simbolizando o espírito da vivência. Profissionais e futuros profissionais demonstraram sensibilidade à temática, reforçando o compromisso com a construção de um atendimento cada vez mais humanizado na saúde.
A programação também aborda a comunicação ética e sensível sobre violência contra a mulher, discutindo o impacto das palavras na vida das vítimas, o papel da sociedade na proteção das mulheres nas redes sociais, a prevenção da revitimização, o uso inadequado de imagens e abordagens que ainda culpabilizam mulheres em situação de violência pelo sofrimento vivido.
CONSTRUÇÃO DE REDES DE CUIDADOS
A coordenadora do projeto, Patrícia Queiroz, explicou que a proposta da vivência vai além da formação técnica. “Nosso objetivo é promover uma experiência coletiva de reflexão, escuta e construção de redes de cuidados a partir das realidades amazônicas”, declarou.
A iniciativa conta com a participação de representantes da Superintendência de Polícia Técnico-Científica (Politec), Polícia Militar do Estado de Rondônia (PMRO), Instituto Estadual de Educação em Saúde Pública de Rondônia (Iespro), Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia (Alero), Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). Também participam acadêmicos e profissionais das áreas de medicina, psicologia e enfermagem de Porto Velho, Cacoal, Vilhena e Manaus (AM), fortalecendo o debate sobre inclusão, diversidade e acessibilidade nos espaços de formação em saúde.
O secretário de Estado da Saúde, Edilton Oliveira, ressaltou a importância da qualificação permanente dos profissionais para garantir assistência adequada às vítimas. “Discutir o enfrentamento à violência contra mulheres e crianças é também fortalecer o Sistema Único de Saúde, aprimorar fluxos e garantir que o acolhimento aconteça de forma segura, ética e humanizada em toda a rede pública de saúde”, afirmou.
ENCONTROS INTEGRADORES
A vivência promove debates sobre território, violência, saúde mental, governança, políticas públicas e intersetorialidade, reunindo diferentes olhares e experiências na construção coletiva do cuidado. Com rodas de conversa, oficinas, encontros integradores, cartografias sociais e visitas de campo, a “Vivência do Madeira” aproxima os participantes das realidades amazônicas, estimulando reflexões sobre os desafios enfrentados pelas mulheres em diferentes territórios e fortalecendo a atuação da rede pública de saúde no enfrentamento às violências.