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Abril Marrom: especialistas dizem que 75% dos casos de cegueira podem ser evitados

Redação

Em uma audiência pública na Câmara dos Deputados, especialistas destacaram que três quartos dos casos de cegueira são passíveis de prevenção por meio de diagnóstico precoce. Os principais desafios identificados foram a carência de acesso na atenção primária à saúde e o financiamento insuficiente do Sistema Único de Saúde (SUS).

O debate, promovido pela Comissão de Saúde na quinta-feira (16), integrou as ações da campanha Abril Marrom, dedicada à conscientização sobre a prevenção da cegueira e à reabilitação visual.

Conforme os participantes da audiência, condições como glaucoma e retinopatia diabética figuram entre as maiores causas de perda de visão que poderiam ser evitadas no Brasil.

A deputada Carla Dickson (União-RN), proponente do debate, manifestou preocupação com o subfinanciamento da área. Ela argumentou que os valores pagos pelo SUS para consultas são insuficientes, resultando na diminuição da oferta de profissionais e no alongamento das filas de espera.

"É imperativo que a oftalmologia seja integrada à atenção básica. Não podemos admitir que cidadãos aguardem por anos por uma consulta capaz de preservar sua visão", declarou a deputada.

Roberto Murad Vessani, presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma, ressaltou que o glaucoma representa a principal causa de cegueira irreversível globalmente.

Ele explicou que a doença afeta aproximadamente 3,5% da população acima dos 40 anos, e que 90% desses casos permanecem sem diagnóstico devido à manifestação tardia dos sintomas, que surgem apenas em fases avançadas.

Lúcia Xavier, representante da Associação de Diabetes Brasil, informou que a retinopatia diabética é a principal causa de cegueira entre indivíduos em idade produtiva. Ela enfatizou que 56% das pessoas com diabetes desconhecem sua condição, o que complica o diagnóstico precoce da complicação ocular.

Novas Tecnologias

Maria Auxiliadora Frazão, presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, defendeu uma reestruturação da rede de atendimento para assegurar um acesso mais ágil e uma remuneração justa aos profissionais. Ela argumentou que a prevenção da cegueira é economicamente mais vantajosa do que gerenciar seus custos sociais e econômicos.

Representantes da sociedade civil também criticaram a lentidão na incorporação de novas tecnologias no SUS. Ângela Souza, presidente da Retina Brasil, mencionou que medicamentos e implantes já aprovados demoram anos para serem disponibilizados aos pacientes.

Ações Governamentais

Gabriela Hidalgo, coordenadora de projetos do Ministério da Saúde, destacou progressos como os Orçamentos de Cuidados Integrados (OCIs). Conforme explicado por ela, esse modelo proporciona um financiamento ampliado — variando entre R$ 200 e R$ 400 por atendimento completo — visando acelerar diagnósticos e cirurgias de catarata.

A coordenadora também informou que o Ministério da Saúde planeja atualizar os protocolos clínicos para o tratamento do glaucoma até 2026.

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