A IV Mostra Estudantil de Arte e Cultura Indígena (Maloca) foi oficialmente aberta nesta terça-feira (14) no Teatro Palácio das Artes, em Porto Velho. Organizada pelo Governo de Rondônia, através da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), a iniciativa visa valorizar os saberes tradicionais, fortalecer a identidade cultural e promover a diversidade nas escolas públicas, reunindo estudantes indígenas de várias partes do estado.
O desembargador Alexandre Miguel, governador em exercício, ressaltou a importância da mostra para a valorização cultural e educacional. Ele afirmou que "A mostra fortalece a diversidade e as políticas públicas voltadas aos povos indígenas. A Maloca é um espaço de reconhecimento, onde os estudantes podem expressar sua identidade e manter vivas as tradições dentro do ambiente escolar".
Massud Brada, secretário da Seduc, enfatizou que a Maloca é um ambiente de aprendizado coletivo que promove o diálogo intercultural e práticas pedagógicas inclusivas. Segundo Brada, "O evento permite que os estudantes compartilhem suas histórias, conhecimentos e tradições dentro do ambiente escolar, enriquecendo a formação educacional de toda a rede".
Elias Rezende, chefe da Casa Civil, destacou que a mostra é um local de encontro, escuta e valorização das narrativas de cada povo. Ele acrescentou que "Mais do que uma programação cultural, a Maloca reforça vínculos, aproxima a comunidade escolar das suas origens e reafirma o compromisso com políticas públicas que reconhecem a diversidade como parte fundamental da educação".
Saberes Tradicionais em Destaque
A programação de abertura incluiu diversas expressões culturais dos povos indígenas, como documentários, teatro, dança, música, além de exposições de artesanato e fotografias. Pela segunda vez na Maloca, a estudante Rafaela Cinta Larga apresentou um documentário e uma peça teatral com seus colegas. O documentário abordou o Paralelo 11, episódio que marcou o massacre contra o povo Cinta Larga, destacando a resistência da comunidade. A encenação teatral, por sua vez, narrou o mito de origem do povo, contando a história do surgimento do sol e da lua.
Kelvin Cinta Larga, também estudante, enfatizou a relevância da Maloca para seu povo e para as futuras gerações. Ele declarou: "A Maloca é muito importante para nós, povos Cinta Larga. É algo que a nossa juventude não pode deixar morrer. É parte da nossa identidade, e precisamos mostrar para todos a sua importância, para que a nossa cultura continue viva e fortalecida".
Kenedy Paiter Suruí, outro estudante participante, apresentou uma dança tradicional e uma música que representam a cultura Paiter Suruí, valorizando os elementos culturais e a identidade de sua comunidade.